Terça, 16 Agosto 2016 09:57

Loteamentos estão em alta na Grande Salvador

Com um déficit habitacional de 107.647 unidades, segundo dados do IBGE de 2012, a região metropolitana de Salvador destaca-se como destino de loteamentos. Camaçari e Simões Filho são grandes exemplos. Em alta desde 2012, esse modelo é uma solução barata, mas que em Salvador enfrenta a falta de terrenos.

Representantes do setor imobiliário apontam possibilidades de aumento na oferta de imóveis para as diferentes faixas de renda e levando em conta os terrenos que devem ser colocados no mercado no miolo da capital após a conclusão das linhas Azul e Vermelha, que vão ligar a orla ao subúrbio.
"Certamente, o mercado vai olhar com muito carinho para essa região, que vai ser servida de metrô e BRT", aponta o presidente da Associação de Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi), Luciano Muricy.
Ele aposta que essa região pode ser aproveitada para novos lançamentos do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), desde que sejam feitos investimentos por parte do poder público em redes de água e saneamento básico.
Muricy mostrou-se cético, entretanto, quanto ao aproveitamento pelo mercado imobiliário de terrenos adjacentes aos traçados das possíveis avenidas Linha Viva e a Linha Atlântica, que ainda não saíram do papel.
A questão é que essas avenidas estão sendo pensadas como vias expressas, sem ligação com o sistema viário nos bairros que vão atravessar, o que inibe as construtoras.
Outro fator que, segundo Muricy, pode valorizar os terrenos ao longo da Linha Azul, que vai ligar Patamares ao Lobato, é o anúncio feito pela prefeitura recentemente de que pretende construir um centro náutico em Lobato.
"O novo PDDU permite um adensamento maior, e é possível ver um potencial de construção nessas vias, especialmente na Avenida Gal Costa", afirma Muricy. Ele ressalta, entretanto, que a maior parte do miolo da cidade já tem ocupação consolidada.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA), Carlos Henrique Passos, vê um crescimento no setor de loteamentos no estado desde 2012. "Camaçari é uma cidade que tem aproveitado muito a sua extensão territorial e a proximidade com Salvador para fazer loteamentos", assinala Passos.
Com 759.802 quilômetros quadrados (mais de mil vezes o tamanho de Salvador), a cidade que sedia o polo tem atraído empreendimentos, como o Vivea Camaçari e o Luar em Camaçari, que vendem terrenos em uma área delimitada para que o comprador construa sua casa. "É um tipo de ocupação que às vezes leva até 20 anos para ser concluída", afirma Passos.

Sáb, 13/08/2016 às 10:00 - A TARDE